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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Mephisto (1981) de István Szabó

“Ich bin nur ein Schauspieler!”





O filme narra a história de um ator provinciano que utiliza as possibilidades de ascensão em sua carreira durante o Nazismo na Alemanha representando os ideais do regime, apesar de sua -aparente- alienação política. A história do filme baseia-se no livro Mephisto (1936) de Klaus Mann, que narra a biografia de seu cunhado, o ator Gustaf Gründgens, o qual fazia especial sucesso sob a pele do Mephisto de Fausto, uma das poucas peças que não eram censuradas a época, talvez por não ter conteúdo político e por representar “uma obra-prima criada por um alemão legítimo, ou seja, Arte Alemã”.





O filme retrata muito bem a questão da dicotomia Bem X Mal que todos carregam em seu interior, e a luta interior de Hendrik Höfgen (Klaus Maria Brandauer) entre o sucesso que sempre desejou e agora que caiu nas graças do 1º Ministro o obtém, e sua consciência que percebe que ele está vendendo sua alma a um regime assassino e monstruoso. Apesar de interpretar com maestria o demônio Mephisto e representar o Povo Alemão durante o III Reich, ele tem os olhos doces e meigos e o aperto de mão suave, como é dito no filme. Na verdade, o verdadeiro Mephisto da história, é o 1º ministro, pois é ele quem faz o papel de sedução competente a forças malignas em nossa cultura - isso sem esquecer o cargo que ele ocupa e em que regime!.





Hendrik é na verdade Fausto, pois apesar de sua sede por fama, poder e prestígio, arrogância e vaidade, é um homem com um bom coração, que todo o tempo afirma a si mesmo “Ich bin nur ein Schauspieler!” (Sou apenas um ator!), uma frase que considero a síntese da obra. Ele tenta se convencer de que um ator sempre será um ator, independente de época ou regime político, e que sua vida é nos palcos, dentro do teatro, e não metido com discussões políticas, no entanto, essa linha de raciocínio que ele usa para convencer as pessoas à sua volta acaba por não convencer nem a si mesmo. Boa parte do filme foca nesse embate psicológico entre o Fausto e o Mephisto interiores de Hendrik.





Um ponto do filme que eu particularmente percebi, mas não sei se condiz com as intenções do filme foi quanto a uma suposta homossexualidade de Hendrik, demonstrada por meio de gestos e jeitos do personagem, e que poderia ter relação com o Mephisto da vida real, Gustaf Gründgens, que era homossexual, apesar de casado com a irmã do autor (apesar disso não constar no livro para evitar problemas). Percebe-se também um imenso narcisismo e megalomania do personagem, em diversos momentos, mas também não sei se foi intensional.





Enfim, um belo filme que explora a filosofia, psicologia humana e ainda tem trechos de encenação do Fausto de Goethe (que já li três vezes e venero!), e que nos ajuda a perceber que todos somos tal qual Hendrik: um amálgama de Fausto e Mephisto em eterno conflito e coexistência. E ganhou o Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 1982.










































quarta-feira, 15 de junho de 2011

Faust, de F. W. Murnau, 1926

O filme em questão, apesar de ser uma adaptação do clássico Fausto de Johann Wolfgang von Goethe, é a adaptação definitiva, pois capta a essência do livro.

Tanto Goethe quanto Murnau exaltam o otimismo em relação ao humano: desde que haja amor -Liebe!- haverá salvação.

É o segundo filme de Murnau que assisto, depois do seu famigerado Nosferatu tao maravilhoso quanto Faust.

Ao ler o nome de Emil Jannings como Mephisto sabia já haver ouvido esse nome: é o professor Rath d' O anjo azul, que contracena com a jovem Marlene Dietrich. Percebemos o imenso talento do ator ao assistir os dois filmes, pois num filme mudo e outro já com fala e em papeis completamente diferentes (o demoníaco Mephisto e o tímido e inocente Professor), demonstrando toda sua versatilidade.

Infelizmente, Herr Jannings envolveu-se com o regime Nazista fazendo inúmeros filmes de propaganda, o que fez com que não conseguisse mais atuar após a 2a Guerra Mundial, uma pena!

Camilla Horn faz uma doce Gretchen, com um rostinho típico das atrizes dos anos 1920, talvez pela maquiagem, e Gösta Eckman um belíssimo e convincente Fausto, esbanjando juventude após o pacto com Mefistófeles (pelo menos nesse ponto o pacto valeu a pena!).

O filme possui fotografia com permanente jogo de luz e sombra, demonstrando visualmente a dicotomia deus X demônio, céu X inferno. Magnífico.

Deixo-vos algumas belas imagens desse filme e um -precioso- link para que os senhores assistam ao filme, agora mesmo se possível.

Saudações,
Carolina M.

Assista ao filme no YouTube



















quinta-feira, 21 de abril de 2011

Das Dreimäderlhaus: filme alemão de 1958


O filme Das Dreimäderlhaus (A casa das três meninas), sob direção de Ernst Marischka é baseado na opereta de mesmo nome que teve seu début no ano de 1916, com música de Franz Schubert e Heinrich Berté (1857-1924) com libretto de Alfred Maria Willner e Heinz Reichert inspirado no romance Schwammerl (1912) de Rudolf Hans Bartsch.

É um filme interessante, com belos cenários, cenas delicadas, figurinos e penteados minuciosamente fidedignos à época em que se passa o filme (c. 1813-15), não chega a ser um musical davvero, mas é permeado por belas canções (Lieder) de Schubert e canções vienenses. Apesar de não ser biograficamente fiel a Schubert, encontramos no filme um belo quadro da sociedade vienense da primeira metade do século XIX com sua fervilhante atmosfera intelectual e artística.

O ator Karlheinz Böhm nos revela um Schubert tímido, belo, introspectivo e workaholic, além disso com um nobre coração, pois renuncia seu amor pela graciosa Hannerl (Johanna Matz) em nome de sua amizade com o cantor Schober (Rudolf Schock) que também a ama. O filme exalta o valor da amizade, como podemos observar logo no início, na segunda cena, na qual seus quatro inseparáveis amigos ―Schober, Schwind (Helmut Lohner), Kupelwieser (Albert Rueprecht) e Mayerhofer (Erich Kunz)― articulam para que Diabelli (Richard Romanowsky), editor musical conheça as obras de Schubert. Esse quarteto de amigos nos dá idéia das schubertiades, serões musicais onde se reuniam Shubert e seus amigos, como retratado no desenho de Moritz Von Schwind, pintor e personagem do filme que vemos abaixo.

Um desses amigos de Schubert, Mayerhofer é interpretado pelo aclamado barítono Erich Kunz, dono de magnífica voz e especial talento para papéis mozartianos e de operetas, sendo conhecido principalmente por sua interpretação como Papageno no Singspiel ‘Die Zauberflöte’ (A Flauta Mágica), de Mozart, (que tenho a sorte de possuir uma gravação de Herr Kunz como Papageno, para deleite de meus ouvidos!). Em várias ocasiões Kunz nos presenteia com sua bela voz cantando belas canções e com seu talento para papéis cômicos que é bem aproveitado no filme em seu personagem Mayerhofer.

Deve-se notar também que Rudolf Schock, que interpreta Schrober no filme também é cantor profissional, um tenor de cristalina voz e muito em voga na época. É maravilhoso ouvir tão bela voz aliada a tão belas melodias! A potência e graça de seu timbre podem ser percebidas durante todo o filme, atingindo seu apogeu durante a interpretação da canção Ungeduld.

Como é de se esperar, a parte musical do filme é esplêndida. Porém, devo observar que a história por trás das composições de pelo menos duas das canções é romanceada e não se conecta à realidade dos fatos.

1) A Serenata (Ständchen - Leise flehen meine Lieder) que Schubert se inspira ao passar pela casa de Hannerl e ouvi-la tocar uma de suas sonatas para piano não foi “a primeira canção de amor composta por Schubert” como seus amigos constatam, mas faz parte de um ciclo de canções (Lieder Zyclus) Schwanengesang (O canto do cisne).

2) A canção que Schubert compõs para declarar-se a Hannerl e foi interpretada por Schober, não foi composta para esse fim. A canção denominada Ungeduld und Stolz (Ciumento e Orgulhoso) faz parte do famoso ciclo de canções de Schubert Die Schöne Müllerin (A bela moleira) correspondendo à sétima canção das vinte totais. No início do filme quando Diabelli tranca o cantor da corte Johann Vogl (Ebehard Wächter) para que este cante um Lied de Schubert, trata-se da oitava canção do ciclo d’A bela moleira, Morgengruß (Saudação matinal).

Há paralelamente a presença do compositor Ludwig van Beethoven (Ewald Balser) desde a primeira cena, na qual Schubert assiste a uma apresentação de um concerto para piano e orquestra interpretada por um Beethoven com a audição já bastante comprometida, porém sem perder sua capacidade criativa. Sua única ópera, Fidelio (a qual já escrevi uma resenha por aqui), é citada e podemos assistir ao seu último ensaio antes da reestréia da ópera, junto a Kupelwieser, que foi assisti-la. Beethoven rege o quarteto Mir ist so Wunderbar (É tão maravilhoso para mim) da ópera.

Um filme raro, pouco conhecido e encantador!

Eis algumas imagens do filme:


Schubert com uma bandeja de frango num almoço ao ar livre com Schober, Mayerhofer, Kupelwieser, Schwind, Franzi e Kathi.

Franz Schubert e Moritz von Schwind, que trabalha pintando a casa de Beethoven.


Schober, Schubert, Schwind, Kupelwieser e Mayerhofer deixaram o Goulasch queimar, pois se distraíram cantando e agora tentam recuperá-lo.


Hannerl, Schober e uma de suas irmãs.


Schubert dá a Hannerl um ramo de lilás durante almoço ao ar livre com Hannerl, Hederl, Heiderl (suas irmãs), Franzi, Kathi, Kupelwieser, Schober, Schwind e Mayerhofer.


Schubert sendo impedido de tocar suas sinfonias por Diabelli, que é um entusiasta de suas canções e prefere que Schubert toque as canções com o barítono Vogl.


Johann Michel Vogl, Anton Diabelli e Franz Schubert cumprimentam-se após o sucesso da apresentação dos Lieder no palácio dos Esterházy.


Frau Tscholl despede-se de suas recém casadas filhas Heiderl e Hederl junto à governanta.


Herr Tscholl pai de Hannerl cumprimenta Schubert, professor de piano de Hannerl.

Hannerl vestida de noiva para casar-se com Schober e sua mãe, Frau Tscholl.

Hannerl e Schubert.

Assistir ao trailer de Dreimäderlhaus no YouTube


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nosferatu, eine Symphonie des Grauens 1922




Adivinhem qual o último filme que assisti!!!!
O clássico dos classicos do terror, Nosferatu na versão dirigida por F. W. Murnau em 1922 com Max Schenck no papel-título.

Trata-se de uma adaptação do romance de Bram Stoker, Drácula, mas de forma a burlar os direitos autorais, por isso os nomes das personagens diferem dos do romance.

Sinopse ilustrada:

Thomas Hutter vive na cidade alemã fictícia de Wisborg, e trabalha numa imobiliária cujo misterioso chefe Knock o envia à Transilvânia para oferecer o contrato de um imóvel em frente ao seu a Conde Orlok. Hutter deixa sua esposa Ellen aos cuidados de um casal de amigos, e ela teme pela vida de seu marido já que Orlok é um vampiro-Nosferatu.

Hutter passa por uma estalagem onde encontra um livro : O Livro dos Vampiros

Depois de momentos estranhos no palácio do Conde, Hutter percebe que este é realmente um vampiro, enquanto sua mulher delira longe dele.

Orlok assina o contrato e passará a morar em frente a casa de Hutter, e ao ver um retrato de Ellen, fascina-se por ela.

Hutter retorna, e Orlok a bordo de um navio também, mas a tripulação inteira morre com duas incisões no pescoço, levando os habitantes a pensar numa peste, porém é Nosferatu quem suga-lhes o sangue.

Knock enlouquece e é levado a um hospício, e se alegra ao ler uma notícia de que a peste está se espalhando.

Ellen, transtornada com o novo vizinho que a observa sempre lê O Livro dos Vampiros e lá diz que uma mulher de coração puro que oferecer seu sangue por vontade própria a um vampiro ele perde a noção do tempo e quando o galo cantar ele desaparecerá.



Assistir ao filme completo com legendas em inglês no YouTube

Saudações, caríssimos, espero que assistam ao filme e curtam tanto quanto eu curti (e ri!).