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domingo, 20 de novembro de 2011

A Morte e a Donzela

Caros Leitores e seguidores:

Após considerável hiato, escrevo novamente no meu querido blog, com uma tradução de um poema em alemão, Der Tod und das Mädchen (A Morte e a Donzela), de Matthias Claudius e que foi musicado por Franz Schubert em 1817. Essa temática é famosa nas pinturas dos Mestres do Renascimento Alemão, como uma alegoria da efemeridade da vida e da beleza.

Saudações,
Carolina Marx



Pinturas de Hans Baldung (c. 1484–1545)

Das Mädchen:

Vorüber, ach Vorüber,

geh’ Wilder Knochenmann!

Ich bin noch jung, geh’ lieber,

und rüre nicht mich an, und rüre nicht mich an.

Der Tod:

Gieb deine Hand du schön und zart Gebild,

bin Freund, und komm nicht zu strafen.

Sei gutes Muths! Ich bin nicht wild,

sollst sanft in meinen Armen schlafen.

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A Donzela:

Vá embora, ah vá embora,

selvagem esqueleto humano!

Ainda sou jovem, vá e é melhor

que não me toques, que não me toques.

A Morte:

Dê-me sua mão ó bela e delicada figura,

Sou amigo, e não venho para punir.

Tenha bom ânimo! Eu não sou feroz,

Tranquilamente você dormirá em meus braços!


Assistir no Youtube o Lied de Schubert na voz de Christa Ludwig

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Le affinità elettive (1996), de Paolo e Vittorio Taviani

A partir do romance de Goethe As afinidades eletivas (Die Wahlverwandtschaften, 1809), o filme dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani recria a bela história do casal Carlotta (Isabelle Huppert) e Edoardo (Jean-Hugues Anglade) que descobre novas relações afetivas com dois conhecidos que se tornam hóspedes de sua casa de campo: Ottillia (Marie Gillain) e Ottone (Fabrizio Bentivoglio).

Para começar, o que vem a ser uma “afinidade eletiva”? Este termo vem das Ciências Naturais, e Goethe, como muitos eruditos de sua época não se detinham a estudar apenas sua Arte, a Literatura em seu caso, mas também Ciências, Filosofia, Política. Devemos lembrar dos estudos de Goethe que o fizeram criar inclusive uma Teoria das cores.
Afinidade eletiva é uma propriedade dos elementos tem de se unirem de acordo com afinidades, que se desfazem na possibilidade de uma união com outros elementos com os quais possuem maior afinidade. Exemplo visual:

AB + CD → AD + BC

A é par de B. C é par de D. Aparentemente estão em equilíbrio, mas quando os quatro elementos se juntam, percebe-se que A deixa B e se une a D por ter mais afinidade a D que a B. C cria uma nova união com B pelo mesmo motivo.
Assim, desfazem-se as relações iniciais e formam-se novas uniões.

Isso ocorre com os dois casais da história, há uma troca afetiva de casais, Carlotta apaixona-se por Ottone, amigo de seu marido, e Edoardo apaixona-se por Ottilia, jovem órfã criada por Carlotta, e que estuda num colégio interno. O casal principal descobre novas afinidades e semelhanças que não possuíam entre si mas possuem com seus novos pares.

Apesar de atentarem para a obviedade das afinidades cruzadas, os personagens preferem optar por dissimulá-las e tocar a vida como se nada tivesse acontecido. Entretanto, nada voltará a ser como era antes, pois a vida dos quatro desventurados personagens mudara para sempre.

O clima de angústia presente nos corações dos quatro personagens nos contagia, e a melancolia reinante nas cenas nos oprime, o que torna o filme altamente catártico, além do tema, que aborda dilemas sociais ainda hoje difíceis de serem superados por muitos casais.

A delicadeza com que o tema é tratado, os belos cenários e figurinos, as doces trocas de olhares entre os personagens, a melancólica trilha sonora, tudo contribui para tornar o filme maravilhoso. Fora o fato de que tem por base um romance do grandioso Goethe, que ainda não li ainda mas pretendo fazê-lo as soon as posible (o problema é esse ‘possible’!).


Link para o filme no YouTube (Tem o filme completo composto de 10 partes no site.)







Carlotta e Edoardo








Edoardo, Carlotta e Ottone





Ottone, Carlotta e Edoardo












Ottone, Carlotta, Ottilia e Edoardo










Edoardo e Ottone



Ottone e Edoardo
















Carlotta e Ottilia







Ottilia e Edoardo































quarta-feira, 15 de junho de 2011

Faust, de F. W. Murnau, 1926

O filme em questão, apesar de ser uma adaptação do clássico Fausto de Johann Wolfgang von Goethe, é a adaptação definitiva, pois capta a essência do livro.

Tanto Goethe quanto Murnau exaltam o otimismo em relação ao humano: desde que haja amor -Liebe!- haverá salvação.

É o segundo filme de Murnau que assisto, depois do seu famigerado Nosferatu tao maravilhoso quanto Faust.

Ao ler o nome de Emil Jannings como Mephisto sabia já haver ouvido esse nome: é o professor Rath d' O anjo azul, que contracena com a jovem Marlene Dietrich. Percebemos o imenso talento do ator ao assistir os dois filmes, pois num filme mudo e outro já com fala e em papeis completamente diferentes (o demoníaco Mephisto e o tímido e inocente Professor), demonstrando toda sua versatilidade.

Infelizmente, Herr Jannings envolveu-se com o regime Nazista fazendo inúmeros filmes de propaganda, o que fez com que não conseguisse mais atuar após a 2a Guerra Mundial, uma pena!

Camilla Horn faz uma doce Gretchen, com um rostinho típico das atrizes dos anos 1920, talvez pela maquiagem, e Gösta Eckman um belíssimo e convincente Fausto, esbanjando juventude após o pacto com Mefistófeles (pelo menos nesse ponto o pacto valeu a pena!).

O filme possui fotografia com permanente jogo de luz e sombra, demonstrando visualmente a dicotomia deus X demônio, céu X inferno. Magnífico.

Deixo-vos algumas belas imagens desse filme e um -precioso- link para que os senhores assistam ao filme, agora mesmo se possível.

Saudações,
Carolina M.

Assista ao filme no YouTube



















terça-feira, 5 de abril de 2011

Concepções de Goethe acerca do mundo II: Werther, sua época, sua Weltanschauung


Nesta segunda postagem da série Concepções de Goethe acerca do mundo, nosso assunto será o romance epistolar ‘Os sofrimentos do jovem Werther’, de Goethe Uma das mais famosas obras do escritor Wilhelm Wolfgang von Goethe, Die Leiden des jungen Werthers (Os sofrimentos do jovem Werther) é muitas vezes interpretado de forma simplista, focando muito mais no Liebeschmerz (sofrimento de amor) do protagonista do que em seu Weltanschauung (visão de mundo).

Venho a expressar minha opinião acerca daquilo que muitas vezes deixado de lado durante uma leitura menos atenta da obra, embasando minhas teorias por meio de excertos do livro.



1) Werther é um andarilho (Wanderer)


Ad principium, Werther encarna um tipo caro ao Romantismo Alemão, a figura do Wanderer (algo que podemos traduzir como viandante, caminhante, andarilho), que podemos encontrar em quadros como no quadro ‘Viandante sobre um mar de névoa’ (Der Wanderer uber Nebelsee) do pintor Caspar David Friedrich (pintura abaixo), em ciclos de canções como Winterreise e Die Schöne Müllerin de Franz Peter Schubert, em poemas de Heinrich Heine p. ex. Esse personagem é representado pelo jovem de compleição frágil e delicada, de filosofia puramente Romântica, melancólico, contemplativo e impressionável, bastante propenso à loucura e delírios, mas acima de tudo um idealista, capaz de se sacrificar por seus ideais, que percorre longas distâncias em viagem e entra em contado com a inspiradora natureza selvagem alemã, suas paisagens inebriantes,seu povo, longe do ambiente urbano, numa atitude de fugere urbem (cara aos Neoclássicos p. ex.), buscando aventuras e alimento para sua alma sensível.


Carta de 16/06/1772

“Sim, sou um simples andarilho, um viajante que percorre a terra! E vocês, o que são?”


Carta de 04/05/1771

“A cidade, em si é desagradável, mas, nos arredores a natureza é incrivelmente bela.”



2) Descrição da cor local – paisagens, emoções daí vivenciadas


Werther nos descreve com minúcia os locais por onde passa: as belas paisagens alemãs, os habitantes locais e as histórias que o povo lhe conta, suas relações com as pessoas, mas sempre misturando uma visão objetiva, real, com uma visão subjetiva, nostálgica e pessoal, como no trecho a seguir, excelente exemplo disso:


Carta de 09/05/1772

“Com toda a devoção de um peregrino, visitei o lugar em que nasci e muitos sentimentos e impressões invadiram-me.”

(...)

“Diante de mim as montanhas que tantas vezes me encantaram. Eu podia passar horas e horas nesse lugar desejando transpor aquelas alturas, com o pensamento perdido no seio dos bosques e dos vales, que se mostravam a meus olhos na serena luz do fim da tarde.”



3) O Romance é Epistolar


O fato de se tratar de um romance epistolar a um amigo íntimo -Wilhelm- permite que Werther descreva claramente sua opinião acerca dos lugares por onde anda, analise personagens com as quais esbarra, sem o véu da hipocrisia e das convenções sociais expressando-se com sinceridade e transparência como se verá nos seguintes itens.


4) Análise da sociedade de classes de sua época


Tomando o item anterior como partida, Werther faz um retrato vivo e cru da burguesia e da nobreza de sua época, não poupando termos e comentários ácidos para descrever a hipocrisia reinante nos frívolos salões de sua época. Percebe-se também a atitude ambígua de Werther quanto à sua própria posição social, que lhe proporciona privilégios, mas é vista com desdém e afastamento pelos nobres e com desconfiança pela gente humilde do povo. Não só por essas características mas por aquelas do protótipo Wanderer nos demonstra que esse tipo de herói apesar de burguês não segue a moral burguesa, com seu ponto de vista objetivo e prático. Ele vai contra isso, pois a moral burguesa é pequena demais para sua alma ampla e sonhadora, idealista. A subjetividade atinge o máximo quando o nosso personagem-título comete o suicídio, sacrificando-se em nome de seu ideal - o amor por Charlotte, que é casada. Em relação a essa temática temos inúmeros exemplos:


Carta de 15/05/1771

“As pessoas simples deste lugar já me conhecem e gostam de mim, particularmente as crianças. No início, quando me aproximava delas, fazendo-lhes amistosamente uma pergunta trivial, alguns julgavam que eu queria me divertir-me às suas custas e me respondiam grosseiramente. Não me zanguei com isso, mas senti vivamente o que já muitas vezes observara: as pessoas de alta posição social conservam habitualmente uma fria distância da gente do povo; e depois há os levianos e maldosos, que fingem descer até os humildes para, com isso, melhor feri-los.”

“Bem sei que não somos iguais nem poderíamos sê-lo; mas acho que todo aquele que julga ser necessário afastar-se do que se chama povo para fazer-se respeitar é tão censurável quanto o covarde que se esconde do inimigo por medo de ser derrotado”


Nestes trechos quando fala a respeito do Embaixador, para quem trabalhou por um tempo, seu amargor anti-aristocrático torna-se evidenciado:


Carta de 24/12/1771

“O embaixador tem em causado muitos aborrecimentos, como eu já havia previsto. É o tolo mais exigente do mundo; anda de passinhos e é minucioso como uma solteirona; nunca está contente consigo mesmo e, por conseguinte, ninguém pode jamais contentá-lo. (...) É um suplício ter de trabalhar com esse homem.”

(...)

“E a miséria exemplar, o tédio que reina entre a gente estúpida que se vê por aqui! E a mania da posição social: espiam-se mutuamente, apenas para encontrar uma oportunidade de passar a perna no outro. (...) Não posso compreender como o gênero humano tem suficiente falta de senso para prostituir-se tão vulgarmente.”

(...)

“O que mais me aborrece é a inexorável condição burguesa. Sei, tão bem quanto os outros, como a diferença de classes é necessária, e quantas vantagens me proporciona: as gostaria que ela não viesse fechar meu caminho, no momento em que eu poderia ainda gozar nesse mundo um pouco de alegria, um átimo de felicidade.”


Carta de 15/03/1772


“(...) Ontem fui almoçar na casa dele: era justamente o dia em que se recebe a alta sociedade, a flor da nobreza.”

“(...) Chega a nobre senhora de S., com o senhor seu marido e a estúpida de sua filha, de peito pequeno e um espartilho ridículo afinando-lhe a cintura, ao passarem por mim, adotaram um ar desdenhoso e, como tenho por essa espécie de gente profunda antipatia, decidi ir-me embora.”



5) O perfeito-burguês: Albert


O marido de Lotte é o burguês prático e engrenado na sociedade de fins do sécuo XVIII. Ama sua esposa, dedica-se ao trabalho e resolução de objetivos práticos, não perdendo tempo com divagações e sentimentos supérfluos. Sua maneira de ver o mundo é direta e utilitária.

Podemos inclusive identificar o antagonista, o enantiômero, o Werther quiral, espelhado: Albert, o noivo e, mais tarde marido de Lotte. Não é à toa que Werther pede a arma a ser usada no atentado contra sua própria vida a ninguém menos que Albert. É este o verdadeiro ‘antagonista’ do romance, pois ele se interpõe entre Werther e Lotte impedindo a realização dos desejos de ambos, o que culmina com a impossibilidade e negação da possibilidade de realização desse amor, mais por impedimento moral burguês do que por falta de vontade de algum dos dois de viver plenamente esse amor.


Carta de 29/07/1772

"E ousaria dizê-lo? Por que não, Wilhelm? Comigo ela seria mais feliz do que com ele. Oh! Albert não é o homem capaz de satisfazer todos os desejos daquele anjo. A ele falta certa sensibilidade, falta... entenda como quiser... Quando leem juntos alguns trechos de um livro particularmente amado, o coração dele não bate em sintonia como o dela, como quando eu leio com Lotte esse mesmo livro e nossos corações pulsam como um só; e em centenas de outras circunstâncias, como quando exprimimos nossos sentimentos sobre o comportamento de outra pessoa."


Algumas ilustrações do livro para deleitar os olhos dos senhores:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nosferatu, eine Symphonie des Grauens 1922




Adivinhem qual o último filme que assisti!!!!
O clássico dos classicos do terror, Nosferatu na versão dirigida por F. W. Murnau em 1922 com Max Schenck no papel-título.

Trata-se de uma adaptação do romance de Bram Stoker, Drácula, mas de forma a burlar os direitos autorais, por isso os nomes das personagens diferem dos do romance.

Sinopse ilustrada:

Thomas Hutter vive na cidade alemã fictícia de Wisborg, e trabalha numa imobiliária cujo misterioso chefe Knock o envia à Transilvânia para oferecer o contrato de um imóvel em frente ao seu a Conde Orlok. Hutter deixa sua esposa Ellen aos cuidados de um casal de amigos, e ela teme pela vida de seu marido já que Orlok é um vampiro-Nosferatu.

Hutter passa por uma estalagem onde encontra um livro : O Livro dos Vampiros

Depois de momentos estranhos no palácio do Conde, Hutter percebe que este é realmente um vampiro, enquanto sua mulher delira longe dele.

Orlok assina o contrato e passará a morar em frente a casa de Hutter, e ao ver um retrato de Ellen, fascina-se por ela.

Hutter retorna, e Orlok a bordo de um navio também, mas a tripulação inteira morre com duas incisões no pescoço, levando os habitantes a pensar numa peste, porém é Nosferatu quem suga-lhes o sangue.

Knock enlouquece e é levado a um hospício, e se alegra ao ler uma notícia de que a peste está se espalhando.

Ellen, transtornada com o novo vizinho que a observa sempre lê O Livro dos Vampiros e lá diz que uma mulher de coração puro que oferecer seu sangue por vontade própria a um vampiro ele perde a noção do tempo e quando o galo cantar ele desaparecerá.



Assistir ao filme completo com legendas em inglês no YouTube

Saudações, caríssimos, espero que assistam ao filme e curtam tanto quanto eu curti (e ri!).